Inda no outro dia me diziam: "Ah e tal, não-sei-quê, na volta inda começas a dizer que foi assim, ou o camandro, ou o catano ou o caneco"...como diziam os Uranianos.
Então lembrei-me.... Será que foi mesmo assim?....
Voltemos então ao início, ao beginning, ao Bing-Bang, onde tudo terá começado....ou não.
Era um belo dia de Outono...sim, de Outono, porque era nessa estação que estava situado, logo ali junto à estação do Metro da Amadora. Segundo constava, passavam exactamente 276 dias desde a última passagem de ano, ou melhor, tinha eu 12041 dias de vida, quando "I see the light", light essa, que não era de nenhuma lanterna, porque as lâmpadas de lanterna fundem-se muito facilmente e depois não há à venda em lado nenhum. O Sol brilhava já lá no cimo, como que a chamar por Sta. Marta, enquanto outros passavam pelos vermelhos dos semáforos, como de acepipes se tratassem. O coração palpitava de tanta emoção, ou melhor....quase morria de medo. A manhã passou e a tarde chegou, mas não chegou tarde. E eu ali, a vislumbrar qual caminho marítimo para a Índia, qual sereia dos mares não navegados, compacta e língua bifurcada (como quem diz.... foi forcada duas vezes, tipo...bandarilha). Tal miragem que se expõe vinda do Oceano, ainda com a água a escorrer pelo corpo e com aquele cheiro peculiar de quem cheira peculiarmente bem, tipo....fixe. Os corpos colaram-se, como se de dois ímans se tratassem. Os olhos entremostravam aquela sensação de bem estar...Nos cinemas os filmes iam correndo, como aviões a planar pelos céus (mas não em direcção ao Wold Trade Center).
Nos mercados e nas pracetas os carros paravam e de repente se embaciavam os vidros, como de magia se tratasse. No interior, ninguém sabe o que se passava....quer dizer...ninguém, não é bem assim. Há sempre alguém que sabe... Mas o mais estranho era o motivo de tal embaciação...seria devido à condensação do ar? Do suor? Do calor? Do frio? Que se lixe!
A procissão prosseguiu, carregada de boas esperanças, de promessas por cumprir, de segredos bem guardados, fechados num casulo imaginário, com duplo feixe eclair, (é assim que se escreve?).
À noite nas praias os casais passeavam, vendo a Lua bem alta, outros contavam anedotas, para passar o tempo. O tempo passava, o almoço já lá estava e a malta reclamava...O cozinheiro esqueceu o sal, o peixe parecia "Vianetta"...
No meio de tanta chuva o André teimava em enfeitiçar a malta com um escorpião, naquelas ruas sem nome, enquanto o Rogério e o David se deleitavam, quais drogados de primeira, viciados em botões de rádio, mas justos e sem qualquer discriminação, mais abaixo estava o umbigo da civilização que esperava a chegada de toda aquela gataria azul a ronrronar, enquanto os olhos fixavam todos os movimentos....esquerda...direita...esquerda....direita.
Adormeceram... e sonharam com ilhas, com pássaros ávidos, como um açor de olho bem aberto.
As mensagens que vinham pelo ar, dominavam aquele momento, aquele silêncio ruidoso e faziam sonhar qualquer um. A nostalgia chegava sempre à mesma hora, no escuro da noite. A distância aumentava virtiginosamente e as horas passavam....76, 75, 74.
Não podia esquecer o barulho proveniente, daquele local onde as sereias pernoitam, como se fosse um ranger de dentes, ou melhor.... a fricção provocada por metais, imitando o ruído cíclico do relógio, que corria, por vezes com pressa, outras, pacientemente agurdava a chegada do combóio com destino à Lua, enquanto na rádio ouvia-se "Love is in the air".
E foi assim que tudo começou...
Um dia provavelmente, os arautos da boa esperança relatarão o sucesso que foi a instalação das novas tecnologias, dos computadores, das imagens digitais, dos sons quadrifónicos.
Sim! Porque é o que se passa no Mundo, que me faz correr, me faz sonhar, suspirar, transpirar, ansiar, me faz amar tudo o que de bom me possa acontecer...e acontece porque assim o desejo.
Sejam felizes e façam alguém feliz.
Abreijos